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Tapete Vermelho | Brasil | 2005 | Luiz Alberto Pereira



Um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro de meados dos anos 2000, “Tapete Vermelho” (Brasil, 2005), de Luiz Alberto Pereira, dividiu a crítica, mas encantou o público que riu e se emocionou com o caipira cinéfilo Quinzinho em sua longa jornada para encontrar uma sala de cinema que exibisse um filme do seu grande ídolo, o icônico Amácio Mazzaropi (1912–1981). Mazzaropi, que – com seu hilariante personagem Jeca –, foi um campeão de bilheteria do cinema nacional, entre o início dos anos 50 e final dos 70, inspirou a composição do ator Matheus Nachtergaele para dar vida ao ingênuo e cativante Quinzinho. Por mais que não haja grande consenso quando se trata de elogios ao filme, há um ponto nele em que todos são unânimes: a interpretação de Matheus é de se tirar o chapéu. No caso, o chapéu de palha esfarrapado, é claro! O crítico Bruno Yutaka Saito, em sua crítica publicada na Folha de S. Paulo, diz que "Nachtergaele incorpora à perfeição os trejeitos do ator (Mazzaropi), com passos desengonçados, a barriga proeminente e as mãos que desmunhecam". Entre altos e baixos, Bruno observa também que “’Tapete’ se perde no mesmo ponto em que muitos filmes de seu inspirador também se enrolavam”. O fato é que o público jamais se importou se esse tapete foi bem desenrolado ou não, e lotou os cinemas do Brasil para se divertir com um dos filmes mais fofos, leves e agradáveis da safra nacional dos últimos 20 anos, hoje disponível em streaming. Leia abaixo a crítica completa.


"Tapete Vermelho" celebra Mazzaropi

BRUNO YUTAKA SAITO DA REPORTAGEM LOCAL

A nostalgia sempre foi uma questão básica para Mazzaropi (1912-1981), um dos maiores recordistas de bilheteria do cinema brasileiro. Em "Tapete Vermelho", novo filme de Luiz Alberto Pereira ("Jânio a 24 Quadros"), o personagem que melhor representa a visão de mundo do comediante ganha homenagem. Trata-se do caipira de um dos maiores sucessos de Mazzaropi, "Jeca Tatu" (1963), que com seus valores simples do campo enfrentava as mazelas da vida urbana.



Construído como road movie, "Tapete" segue os passos de outro caipira, Quinzinho (Matheus Nachtergaele). Fã de Mazzaropi, decide sair de sua casinha no interior para a cidade. Seu projeto nostálgico: ir a pé, com mulher, filho e burro, a um cinema e assistir a um filme de seu ídolo de infância. O personagem terá traços de Dom Quixote, já que sua missão será quase impossível -seja porque os poucos cinemas do interior se tornaram igrejas ou lojas, seja porque não encontra sala que mostre "filme antigo". Enquanto registra lendas do imaginário da roça, como a do violeiro que vende a alma ao Diabo, ou a da cobra que "rouba" o leite do peito de uma mãe, "Tapete" configura-se como boa ilustração de um universo que tem poucos representantes desde "A Marvada Carne" (1985). Funciona ainda enquanto espécie de "remake" de algum filme de Mazzaropi, já que Nachtergaele incorpora à perfeição os trejeitos do ator, com passos desengonçados, a barriga proeminente e as mãos que desmunhecam. Nesse sentido, "Tapete" se perde no mesmo ponto em que muitos filmes de seu inspirador também se enrolavam. Em determinada altura, Quinzinho chega a um acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Seu filho some, vira menino de rua, e o que era comédia ingênua se torna um drama deslocado. São as mesmas tentativas um tanto esvaziadas de crítica social ao país. Quando envereda pela própria questão da nostalgia, o filme se torna um road movie aprisionado em círculos. Mesmo que o Brasil tenha questões quase imutáveis, como diz o caminhoneiro feito por Paulo Goulart sobre a reforma agrária ("ouço falar desde criança"), o espectador hoje é outro. Se o enorme sucesso de Mazzaropi à sua época indicava uma identificação com o público de um país em ritmo acelerado de industrialização, o caipira de Nachtergaele encontra agora pouco eco. "Tapete" soa mais como um protesto enfraquecido e deslocado no tempo contra o mundo atual: os blockbusters, a televisão as igrejas que cobram dízimos etc.

Tapete Vermelho Direção: Luiz Alberto Pereira Produção: Brasil, 2005 Com: Matheus Nachtergaele, Gorete Milagres

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