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REPULSA AO SEXO | ROMAN POLASKI | 1965 | REINO UNIDO


Catherine  Deneuve no filme "Repulsa ao sexo"

Catherine Deneuve no filme "Repulsa ao sexo"


Com "A Faca na Água" (1962), o então jovem diretor Roman Polanski teve o mérito de levar seu país, a Polônia, a disputar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela primeira vez. Três anos depois, ele voltava a assombrar o mundo com seu segundo longa, o também genial "Repulsa ao Sexo" (Reino Unido, 1965). Vencedor do Prêmio Especial do Júri e do Prêmio FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema) no Festival de Berlim 1965, o filme sobre uma garota aterrorizada por um trauma sexual do passado, tem como protagonista Catherine Deneuve, no auge dos seus 22 anos. Polanski contou com a genial direção de fotografia do inglês Gilbert Taylor (o mesmo de "Dr. Fantástico", de Kubrick, e de "A Profecia), que, em sequências pontuais, fez um incrível uso de lente grande angular, para intensificar o clima de confinamento, redimensionar os espaços físicos, e para "enfeiar" (oi??) Deneuve nos momentos de crescente loucura da sua personagem, como se ela estivesse sendo observada pelo espectador através de um olho mágico. “Repulsa ao Sexo”, que está disponível no streaming À La Carte, conforme observou Eduardo Kaneco, “(...) revela o talento de Roman Polanski como diretor do gênero terror, que ele viria a exercitar outras vezes em sua carreira, com destaque para um dos filmes mais assustadores da história do cinema: O Bebê de Rosemary (1968)”. Leia abaixo o texto completo de Eduardo, publicado no site Leitura Fílmica, do qual ele é editor.


Crítica | Repulsa ao Sexo

Por Eduardo Kaneco


Cena do  filme "Repulsa ao sexo"

Cena do filme "Repulsa ao sexo"


Repulsa ao Sexo é o segundo longa metragem da carreira do diretor polonês Roman Polanski, o primeiro falado em inglês. Um assustador filme de terror psicológico sobre uma mulher traumatizada pelo abuso sexual sofrido no passado.


A trama

Carol (Catherine Deneuve) e sua irmã mais velha Helen (Yvonne Furneaux) são estrangeiras belgas que dividem um apartamento em Londres. A caçula se sente incomodada com a presença constante do namorado de Helen, um homem casado. Ao mesmo tempo, o trabalho de Carol como manicure fica prejudicado pelo seu comportamento. Afinal, ela costuma entrar em estado catatônico repentinamente.

E seu estado mental começa a piorar quando um homem se apaixona por ela e insiste em se aproximar dela, situação que coincide com uma viagem de Helen e seu amante para a Itália, deixando-a sozinha no apartamento. Então, suas alucinações se tornam cada vez mais constantes. Logo, ela vê o apartamento se desmantelar, bem como rachaduras surgem nas paredes. E o passado a atormenta com lembranças de quando foi estuprada.

Conforme a loucura de Carol avança, o filme vai revelando um pouco mais sobre o evento que a traumatizou. Logo se desvenda, em suas alucinações, que um homem mais velho foi o culpado, mas só na última cena confirmamos quem é o abusador. O modo como Repulsa ao Sexo desvenda isso é genial, usando a fotografia da família com o olhar acusador de Helen em direção ao seu algoz.


Cena do  filme "Repulsa ao sexo"

Cena do filme "Repulsa ao sexo"


Polanski

Roman Polanski criou variadas soluções visuais para retratar a deterioração da sanidade da protagonista. Nesse sentido, buscou no expressionismo alemão as várias sombras e ângulos inclinados para ilustrar a anormalidade, em uma fotografia em preto e branco. Adicionalmente, o surrealismo inspirou o desmanche gradual da estrutura do apartamento e as surpreendentes mãos que surgem das paredes para agarrar Carol. E, também, a ideia, magnificamente executada, de mudar a percepção da personagem em relação a sua moradia, que se torna mais amplo.

Polanski traz o olhar estrangeiro sobre a tão festejada swinging London. A música jazz que entra na trilha não embala as festas noturnas, mas gera um tom ainda mais sinistro à trama. Sozinha, sem amigos, Carol acabará manifestando violentamente sua insanidade com violência fatal. Repulsa ao Sexo, nesse aspecto, não demoniza todos os homens, pois o pretendente apaixonado só tem boas intenções.

Por fim, o surpreendente Repulsa ao Sexo revela o talento de Roman Polanski como diretor do gênero terror, que ele viria a exercitar outras vezes em sua carreira, com destaque para um dos filmes mais assustadores da história do cinema: O Bebê de Rosemary (1968). Aliás, estes dois, mais O Inquilino (1976), formam a trilogia do apartamento do diretor.


Cena do filme "Repulsa ao sexo"


Ficha técnica:

Repulsa ao Sexo (Repulsion, 1965)

Reino Unido. 105 min.

Diretor: Roman Polanski.

Roteiro: Roman Polanski, Gérard Brach.

Elenco: Catherine Deneuve, Ian Hendry, John Fraser, Yvonne Furneaux, Patrick Wymark, Renee Houston, Valerie Taylor, James Villers, Helen Fraser, Hugh Futcher, Monica Merlin, Imogen Graham, Mike Pratt.



Texto completo no site Leitura Fílmica

https://leiturafilmica.com.br/repulsa-ao-sexo/



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