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PERDAS E DANOS | LOUIS MALLE | 1992 | REINO UNIDO


 Juliette Binoche no filme "perdas e danos"

Juliette Binoche no filme "Perdas e danos"


Lançado no cinema há mais de 30 anos, "Perdas e Danos" (Reino Unido/França, 1992), penúltimo filme realizado pelo grande diretor francês Louis Malle, causou muito frisson na ocasião da sua estreia, não só por mostrar um caso de adultério de consequências trágicas, mas também pelas cenas de sexo extremamente ousadas entre os amantes Jeremy Irons e Juliette Binoche. Vale destacar ainda a atuação da maravilhosa (e sumida) inglesa Miranda Richardson no papel da esposa traída.

Em sua crítica publicada no site Plano Crítico, Leonardo Campos diz que “’Perdas e Danos’ é um filme que mergulha profundamente em diversas questões que gravitam em torno dos relacionamentos pessoais”. Já não se fazem mais filmes tão impactantes como esse. Se você duvida, ele está disponível no streaming Belas Artes À La Carte. Vale a pena conferir!


Crítica | Perdas e danos (1992)

Por Leonardo Campos


Cena do filme "perdas e danos"

Cena do filme "Perdas e danos"


Em 1992, o cineasta Louis Malle entregou um de seus filmes mais controversos. Perdas e Danos, penúltima realização cinematográfica de sua carreira, tratou de temas como obsessão, núcleo familiar disfuncional e liberdade de escolhas. Indigesto para a sociedade tradicional, a trama lembra bastante as temáticas polêmicas de Nelson Rodrigues, um dos melhores dramaturgos brasileiros do século XX. Com roteiro de David Hare e Josephine Hart, o filme ergue-se com os desempenhos inspirados de Jeremy Irons e Juliette Binoche, tendo um dos desfechos mais angustiantes da história do cinema.

A trama retrata o cotidiano de Stephen Flemming (Irons), um homem entediado com a mesmice de sua vida. Respeitado político do Parlamento Britânico, encontra-se numa situação inusitada, pois se apaixona pela noiva de seu filho, a enigmática Anna (Binoche). Correspondido, ambos mais adiante adentram numa malha de obsessões e paixão desregrada que trará conflitos significativos que trará consequências trágicas para a vida de todos os envolvidos.

Eles iniciam um tórrido caso amoroso que dos encontros escondidos acaba por começar a caminhar de forma inconveniente, bem próximos da sua esposa e do seu filho. Anna desperta o lado obsessivo de Flemming ao se recursar a terminar o relacionamento com o noivo, o que pede da dupla um agendamento cada vez mais tenso e manutenção dos desejos em situações bastante comprometedoras.


Jeremy Irons e Juliette Binoche no filme "Perdas e danos"


Marty (Rupert Graves) é o filho. Ele é uma das “vítimas” da situação, ao lado da mãe, Ingrid (Miranda Richardson), mulher que vive em um casamento estagnado e sem o nada discreto charme da juventude. Não há espaço para aventuras e aquecimento sentimental, motivação para Flemming sair das suas amarras e regras sociais para se relacionar com a mulher do filho, uma traição tida por muitos como moralmente perversa e inconcebível.

Com cenas visualmente interessantes, Perdas e Danos tem na condução musical de Zibigniew Preisner um ponto forte em sua estrutura, produção que apesar de se arrastar entre uma cena e outra, possui grande potencial dramático, graças ao roteiro bem escrito. Com diálogos relevantes e reveladores, o texto ganha também por sua construção de personagens, em especial Anna, ancorada no excelente desempenho da ótima Juliette Binoche. Espécie de versão do mito de Perséfone, a personagem misteriosa possui um profundo olhar distante que evidencia o seu perfil nebuloso. Num determinado trecho, sabemos que ela mantinha uma relação incestuosa com o irmão na adolescência. Quando arruma um namorado, decide não manter mais o contato com o membro familiar, o que leva o rapaz ao desequilíbrio emocional, culminando em seu suicídio.

Sem cenas de nudez gratuita, o filme não se rende ao sexo desmedido, como pode levar a imaginar por seu cartaz oficial. Focado no drama e no aprofundamento psicológico de seus personagens, ganhou espaço de luxo no patamar das produções do “cinema de arte”, referenciado constantemente em listas cinéfilas e preferências da crítica especializada no que tange aos filmes mais inesquecíveis, desoladores, profundos, dentre outras características.

Em seus 111 minutos, Perdas e Danos é um filme que mergulha profundamente em diversas questões que gravitam em torno dos relacionamentos pessoais, tais como a infidelidade, a hipocrisia e a necessidade de manter solidificada uma estrutura de família que talvez nem seja mais líquida, como se convencionou dizer na contemporaneidade, mas gasosa, tamanha a desconfiguração de padrões que há algumas décadas era enrijecidos e fixos.


Juliette Binoche no filme "Perdas e danos"


Perdas e Danos (Damage) — Reino Unido/França, 1992. Direção: Louis Malle Roteiro: David Hare, Josephine Hart Elenco: Ian Bannen, Jeremy Irons, Juliette Binoche, Leslie Caron, Miranda Richardson, Rupert Graves, Peter Stormare, Leslie Caron, Jason Morell, David Thewlis, Gemma Clarke Duração: 112 min




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