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HAMAM - O BANHO TURCO | FERZAN OZPETEK | TURQUIA | 1997


Cena do filme "Hamam - O Banho Turco"


Nascido em 1959 em Istambul, capital da Turquia, Ferzan Ozpetek é um diretor e roteirista turco-italiano. Em 1976, ele entrou para a Universidade de Estrangeiros de Perugia, na Itália, aprendeu italiano por um ano, e depois se transferiu para a Universidade La Sapienza de Roma para estudar cinema. Ainda na Itália, estudou história da arte, figurino e direção teatral. Após trabalhar como assistente de direção de Massimo Troisi no filme “Scusate il Ritardo”, prestou assistência a diversos diretores como Ricky Tognazzi, Giovanni Veronesi e Marco Risi. Em 1997, finalmente Ozpetek fez sua estreia como diretor, com o elogiadíssimo longa-metragem “Hamam - O Banho Turco", que percorreu diversos festivais internacionais e foi vendido para mais de 20 países ao redor do mundo. O sucesso foi tão grande que na época ele foi chamado de “gênio” por ninguém menos que Madonna em um programa da TV americana. Recentemente, Ozpetek voltou a alcançar grande repercussão com seu belíssimo filme “Nuovo Olimpo”, lançado diretamente em streaming. “Hamam - O Banho Turco", disponível no streaming À La Carte, segundo Verônica Leite em seu texto publicado no blog O Berro, "é um filme delicado, com histórias e tabus familiares e religiosos que, de certa forma, retratam o cotidiano de algumas famílias que a gente já ouviu falar". Leia abaixo o texto completo e não deixe de conferir essa obra de um diretor que todo cinéfilo precisa conhecer.


Crítica

Por Verônica Leite

Cena do filme "Hamam - O Banho Turco"


Um dia estou eu na sala de aula, quando escuto meu professor sugerir a um colega, um filme que me pareceu bastante interessante, devido a sua temática. Até então, nunca tinha assistido a um filme produzido nesse país e, com imensa curiosidade, parti para assisti-lo.


Haman ou O Banho Turco (título no Brasil) é um filme discreto que descreve a história de Francesco (Alessandro Gassman), um arquiteto italiano casado, que recebe a notícia que sua tia, que residia em Istambul, havia falecido e lhe deixado uma propriedade como herança. Sua relação conjugal vinha um pouco conturbada e fria, mas ele pede à sua esposa (vivida por Francesca d'Aloja) que viaje à Turquia e resolva tal situação. Com a recusa da mesma, ele, sem alternativa, viaja para Istambul e se depara com várias surpresas que vão mudar sua vida para sempre. Encanta-se pela culinária e pelo povo hospitaleiro, em especial, o filho (Mehmet Gunsur) do casal que o recebe.


Francesco, ao conhecer a propriedade, fica sabendo que a mesma era um antigo "Hamam". Encantado com o que vê, aprofunda-se na história familiar, a qual lhe faz mudar de opinião, não mais querendo voltar à sua vida medíocre na Itália. Maravilhado por Istambul e pela família que o recebe, Francesco agora queria reformar toda a propriedade e colocar o Hamam em funcionamento novamente, e isso faz com que sua esposa, ansiosa por uma separação, parta atrás de Francesco para resolver essa situação. Chegando lá, acaba descobrindo o que não queria... e agora, é ela que não deseja mais a separação. Mas um final triste faz com que ela também mude de ideia e fique em Istambul para que o Hamam realmente reabra.


 Após o término do filme (dirigido por Ferzan Ozpetek) fiquei pensativa, questionando sobre as relações que temos com a nossa própria vida e com os que nos rodeiam, as importâncias e insistências por algumas coisas que pensamos não sobreviver sem elas. Da mesma forma que temos costumes culturais, temos emocionais. Deixamos que o medo do novo, da descoberta, nos aprisione, e quando resolvemos abrir as portas, pode ser tarde, assim como aconteceu com Francesco...


Cena do filme "Hamam - O Banho Turco"


O Banho Turco é um filme delicado, com histórias e tabus familiares e religiosos que, de certa forma, retratam o cotidiano de algumas famílias que a gente já ouviu falar. Tem sua trilha sonora instrumental apaixonante. As interpretações feitas com uma sutileza na introdução da homossexualidade (que vem a ser recorrente nas obras do diretor).


Achei importante a abordagem cultural acerca de Istambul e os "hamams". E, quando estive na Turquia, tratei logo de ir conhecer um, queria sentir um pouco da sensação que tive ao assistir o filme e vi que aquele é um lugar ritualístico para a cultura do povo turco. O banho público a vapor foi herdado dos bizantinos que, por sua vez, foi herdado dos romanos. Sua importância ultrapassa os benefícios do relaxamento e bem estar, como em nosso mundo ocidental conseguimos com os spas. Nos hamams, os frequentadores se encontram para trocar confidências, fazer negócios, festejar a chegada de hóspedes queridos, importantes acontecimentos como os "arranjos" de casamentos e/ou outros tipos de relacionamentos.


A partir desse filme, tive a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a história do cinema turco, que não tem uma trajetória tão antiga, tendo seu apogeu a partir da década de 1950, ao redor da rua Yesilçam (que quer dizer Verde Pinho), que fica em Beyoglu – distrito de Istambul que é considerado a Hollywood, a Pinewood (Reino Unido) da Turquia.


As salas de cinema raramente exibiam projeções locais, e a maior parte da programação consistia de filmes das mais fortes indústrias do ocidente, em especial a dos Estados Unidos, França, Itália e Alemanha. A partir da década de 1970, período conturbado por diversos golpes de estado, o cinema começou a perder espaço para a televisão, produzindo menos filmes, caindo de 300 filmes para cerca de dois a três por ano na década de 1990.


Por identificação, comecei a assistir os filmes do diretor Ferzan Ozpetek, nascido em Istambul, mas que se mudou para a Itália para estudar cinema, naturalizando-se lá. É um cineasta que trata da temática gay na maioria de seus filmes. Sua estreia na direção foi com Hamam, lançado em 1997 e apresentado na 50ª edição do Festival de Cinema de Cannes. O filme conseguiu a façanha de ficar em cartaz durante um ano nos Estados Unidos.


Cena do filme "Hamam - O Banho Turco"




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