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Amante por Um Dia | Philippe Garrel | França | 2017

Atualizado: Mar 17

"Amante por Um Dia" (França, 2017), dirigido por Philippe Garrel, tem roteiro coescrito pelo genial Jean-Claude Carrière (1931–2021), roteirista e dramaturgo francês recém-falecido, responsável por escrever diversas obras-primas dirigidas por Luis Buñuel, entre elas "A Bela da Tarde" e "O Discreto Charme da Burguesia". Premiado no Festival de Cannes, o filme conta a história de uma jovem que volta para casa após o romper um relacionamento e descobre que seu pai está namorando uma mulher de sua idade. Segundo Susana Schild, que deu Bonequinho aplaudindo o longa em crítica publicada no jornal O Globo, "com tom assumidamente retrô, o filme defende seu charme com competência e sensibilidade em prazerosos 76 minutos". Confira abaixo o texto completo.

Crítica: 'Amante por um dia'

Bonequinho aplaude: Triângulo de diferenças

Susana Schild


A narração em off, a fotografia em preto e branco, um triângulo amoroso singular e discussões sobre amor e fidelidade remetem “Amante por um dia”, sem muita dificuldade, a “Jules et Jim – Uma mulher para dois”, de François Truffaut. Por extensão, à nouvelle vague, mais precisamente, a Godard, guru assumido do diretor Philippe Garrel, mais conhecido no Brasil por “Os amantes constantes”, uma revisão agridoce de maio de 1968.


O triângulo, no caso, envolve o professor universitário Gilles (Éric Caravaca), a barba por fazer, ar de banho atrasado, jeito de eterno militante, e a lindíssima aluna Ariane (a estreante Louise Chevillotte). Os dois dividem um pequeno apartamento até a chegada de Jeanne (Esther Garrel, filha do diretor e irmã de Louis Garrel), aos prantos por uma rejeição amorosa, um verdadeiro corpo estranho no cenário contemporâneo de relações descartáveis. Detalhe: as duas mulheres têm a mesma idade — 23 anos.


Aos poucos, a dinâmica familiar começa a sofrer abalos. Cada um, a seu modo, quer vir em primeiro lugar para os outros dois. Cada um tem seus segredos e conflitos. Em roteiro escrito a quatro mãos, que inclui Jean-Claude Carrière, parceiro habitual de Buñuel, alianças são feitas, principalmente entre as duas jovens. Arianne, mesmo apaixonada pelo mestre, não dispensa o sexo sem compromisso. Jeanne sonha com o amor para sempre. A primeira parece saber tudo da vida, a segunda quase nada, e a figura masculina menos ainda. Apesar de bom de teoria, Gilles é quase um inocente sobre si mesmo e sobre os outros. Em pleno século XXI ainda vigoram os desencontros entre discurso e desejo.


Com tom assumidamente retrô, o filme defende seu charme com competência e sensibilidade em prazerosos 76 minutos.


Para assistir ao filme, clique no link: https://www.belasartesalacarte.com.br/amante-por-um-dia https://oglobo.globo.com/rioshow/critica-amante-por-um-dia-22490880 #filmescults #filmesclassicos #jeanclaudecarriere


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