BEIJE QUEM VOCÊ QUISER | MICHEL BLANC | FRANÇA | 2002
- filmescults

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Em “Beije Quem Você Quiser” (França, 2002), Michel Blanc dirige uma comédia de costumes afiada e bem-humorada sobre desejos, ciúmes e confusões amorosas. Em férias à beira-mar, um grupo de amigos revela pequenas neuroses e grandes mal-entendidos. Os diálogos são rápidos, irônicos e cheios de observação cotidiana. O riso surge menos do exagero e mais da sugestão. Um retrato espirituoso das relações adultas, feito com elegância e humor discreto. Com um maravilhoso elenco coral, o diretor, com roteiro adaptado de um romance do inglês Joseph Connolly, criou uma galeria de personagens absolutamente fascinantes vividos por astros e estrelas como Jacques Dutronc, Charlotte Rampling e Carole Bouquet. Quanto aos anseios e desejos dessas figuras tão peculiares, em entrevista concedida ao Estadão, Michel Blanc deu a seguinte declaração: "Todos buscam a felicidade, mas fazem de uma maneira cega que os impede de perceber que são eles próprios quem impõem as barreiras". Leia mais abaixo a entrevista completa, e não deixe de conferir esse ótimo filme disponível no Belas Artes À LA CARTE.
Crítica por Equipe À La Carte
Blanc reforça comparação com Allen em novo filme
Com Beije Quem Você Quiser, diretor francês reafirma proximidade com o cinema de Woody Allen, apenas com um tom mais amargurado
Por Agencia Estado

Quando anunciou que realizaria Beije Quem Você Quiser, inspirado na obra de Joseph Connolly, o ator e diretor francês Michel Blanc despertou a suspeita de que se tornara anglófilo - afinal, seu filme anterior, O Acompanhante, se passava em Londres. "Achei muita graça disso, não sou nem anglófilo nem anglófobo: apenas sou fascinado pela forma como a prosa inglesa consegue uma tradução imediata com as imagens do cinema", disse ele, que conversou por telefone com o Estado, de Paris. "Os livros franceses, às vezes, parecem mais cerebrais que visuais." Beije Quem Você Quiser estréia hoje em São Paulo, reforçando a comparação do cinema de Blanc com o de Woody Allen, apenas com um tom mais amargurado. Afinal, os problemas de uma série de casais são resolvidos sob uma forma nem sempre irônica, apostando no jogo das falsas impressões. "O que mais me atraiu na história é sua estrutura de um vaudeville clássico, que me permitiu exercitar aquele tipo de poesia absurda que mais me agrada", conta Blanc, que conseguiu de Joseph Connolly o direito de fazer uma livre adaptação. "Eu apenas lhe garanti que manteria o espírito da obra. Mas é meu filme, a minha visão do romance." O que lhe agradou particularmente - e que foi reforçado em sua versão cinematográfica - é o fato de os personagens sofrerem por causa de seus próprios defeitos. "Todos buscam a felicidade, mas fazem de uma maneira cega que os impede de perceber que são eles próprios quem impõem as barreiras", comenta Blanc, que se divertiu ao modificar a psicologia de alguns personagens. Como de hábito, Blanc trabalha com uma equipe especial de atores, embora apenas a bela Carole Bouquet e Jacques Dutronc estavam em seus planos quando escrevia o roteiro. "Os demais (Vincent Elbaz, Charlotte Rampling) foram me surgindo à medida que o trabalho prosseguia", contou o ator/diretor, lembrando que ficou admirado com a atuação de Charlotte Rampling em Sob a Areia, de François Ozon. "Descobri nela uma franqueza que seu rosto seguro sempre escondeu."

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