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Perdidos em Paris | França/Bélgica | 2016 | Fiona Gordon e Dominique Abel

Atualizado: Abr 16

A deliciosa comédia “Perdidos em Paris" (França/Bélgica, 2016) foi o segundo filme da dupla de diretores, roteiristas e atores Fiona Gordon e Dominique Abel lançado nos cinemas brasileiros. O filme marca a última atuação da grande atriz francesa Emmanuelle Riva (1927 – 2017), a mesma do clássico "Hiroshima, Meu Amor"(1959), de Alain Resnais. O humor peculiar de "Perdidos em Paris" resgata o estilo de célebres comediantes do passado, como observa o crítico Cássio Starling Carlos, da Folha de S. Paulo: "Nessa tradição de fazer bagunça com elegância, eles evocam antepassados como Max Linder, Jacques Tati e Pierre Étaix". Leia abaixo a crítica completa.



CRÍTICA: 'Perdidos em Paris' retoma humor suave

CÁSSIO STARLING CARLOS

crítico da Folha

O escracho e o grotesco ganharam tanto espaço nas comédias contemporâneas que acabamos esquecendo como sorrir pode ser mais divertido do que gargalhar.

"Perdidos em Paris", novo trabalho da dupla Dominique Abel e Fiona Gordon (de "Rumba"), retoma um tipo de humor suave, baseado num modo irônico de representar as pessoas e as coisas.

Esse retorno à essência da graça visa recuperar o duplo sentido da palavra, o gracioso e o engraçado. O trajeto leva também ao burlesco, tipo de humor feito de desajuste e desencaixe, no qual as ações desencadeiam a desordem progressiva e tornam risível nossa fragilidade.

Tudo começa quando a canadense Fiona (Gordon) recebe devolvida uma carta que enviara a Martha, tia querida que se mudou para Paris há muitos anos. Preocupada, ela embarca para a França levada pelo impulso de repor a ordem.

O motivo da busca logo desencadeia uma série de situações baseadas em desencontros e confusões. E os imprevistos só aumentam quando o acaso reúne a viajante e Dom (Abel), morador de rua adepto da vida no improviso.

As peripécias da dupla exploram as possibilidades físicas do burlesco, valorizadas com seus corpos magricelas e com gestos coreografados que alimentam muitas confusões. Nessa tradição de fazer bagunça com elegância, eles evocam antepassados como Max Linder, Jacques Tati e Pierre Étaix, praticantes de um humor equilibrista, mais irônico que anárquico.

Além da habilidade de complementar a mecânica com a dinâmica e de nos levar a uma Paris sugerida, alheia ao consumo turístico, Gordon e Abel também conquistam ao incorporar outros sentimentos, como a melancolia, ao humor.

Esse conjunto de qualidades ainda ganha um bônus com uma das últimas aparições de Emmanuelle Riva, mito do cinema francês que morreu em janeiro deste ano.

Martha é um daqueles presentes extraviados que o cinema nos entrega, um papel em que a força do olhar e da voz de Riva, impregnados em personagens trágicos, ganha outro sentido. Pimpante e lunática, a atriz envia sinais de sua alegria de viver nesse outro mundo no qual ela nunca morrerá. https://guia.folha.uol.com.br/cinema/2017/07/critica-perdidos-em-paris-retoma-humor-suave.shtml Para assistir ao filme, clique no link abaixo: https://www.belasartesalacarte.com.br/perdidos-em-paris #filmescults #perdidosemparis #streaming

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